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Videodança com música de Gilberto Mendes enfoca o drama dos sem-terra

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A Pinacoteca Benedicto Calixto realizou o lançamento da videodança “O Anjo Esquerdo da História” no Facebook da Pinacoteca, no último dia 26 de fevereiro. “O Anjo Esquerdo da História” é uma obra audiovisual realizada na linguagem da videodança, com performance da professora de dança e educadora física Tatiana Justel e baseada na música de mesmo nome, do compositor e maestro santista Gilberto Mendes, com letra do poema homônimo de Haroldo de Campos.

A realização do projeto desta videodança foi possível graças ao prêmio do Concurso Cultural – Lei Aldir Blanc, “Prêmio Alcides Mesquita – Mesquitinha”, realizado pela Prefeitura Municipal de Santos, em 2020.

Gilberto Mendes, nos seus últimos anos de vida, participou com Tatiana Justel de alguns saraus em que ela dançou músicas do maestro. O projeto atual dá continuidade à videodança Rosa dos Ventos, baseada na música Vento Noroeste, também de Mendes e lançada há algumas semanas pela Pinacoteca Benedicto Calixto. A ideia para trabalhos híbridos de dança com audiovisual surgiu a partir de Tatiana, que sentiu a necessidade de homenagear o maestro, por ocasião de seu aniversário em 2020, em que completaria 98 anos.

O Anjo Esquerdo da História (música) é uma obra para coro misto a capella que usa poesia concreta. Foi composta em 1997, musicando o poema de Haroldo de Campos, destacado poeta brasileiro, fundador do Movimento Concretista, crítico e tradutor. O poema versa sobre as lutas por justiça social no campo, que eram preocupações políticas e sociais tanto de Haroldo quanto de Gilberto. O texto é uma homenagem aos 19 sem-terra assassinados no dia 17 de abril de 1996, em Eldorado dos Carajás (PA). O envolvimento de Mendes com o movimento da Poesia Concreta e a formulação do Manifesto Música Nova, em total confluência com o próprio Manifesto da Poesia Concreta, demonstram o alinhamento do compositor não só com as questões poéticas almejadas pelo movimento concretista pós década de 1950, mas também com a visão política que era compartilhada pelos integrantes de ambos os movimentos. Mendes imprime características historicamente associadas à dor e ao sofrimento, para reproduzir a dramaticidade da luta diária enfrentada pelos trabalhadores sem-terra no campo. Texto e música se entrelaçam na criação de metáforas, produzindo novos significados e percepções diferentes daquelas que ambas, texto e música, poderiam ter separadamente. A força do poema fez Mendes passar abruptamente de um registro sacro para a pura declamação do rap.

A obra de Gilberto, em suas características de pluralidade e versatilidade em relações midiáticas, interage formidavelmente com a performance em dança de Tatiana Justel, no seu estilo singular e eclético, por incorporar diferentes influências e vivências na dança. Por fim, com a adição do recorte audiovisual e da poesia visual, em estética inspirada no expressionismo alemão e no surrealismo, reforçam-se as relações simbólicas já existentes, e também se criam outras novas.

Sinopse: Um lenço branco cai do céu sobre a lama do manguezal. Levando-se da lama, surge um ser humanoide, sem olhos, nariz e boca. O Ser performa movimentos que vão do reino vegetal ao animal, até a espécie humana. Conseguindo caminhar, encontra uma igreja, onde vai realizar um surpreendente ato. Inspirado no drama central do poema de Haroldo de Campos, o roteiro incorpora variadas figuras de linguagem amarradas ao fluxo da narrativa, onde os simbolismos e a poesia visual se mesclam à performance da bailarina. O Ser do mangue representa as vítimas dos assassinos, ela dança a dor da morte violenta, da agonia dos sonhos enterrados.

 

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O trabalho de performance cênica de Tatiana Justel é caracterizado pela improvisação e a união da dança com o teatro, próprias da dança contemporânea. É uma bailarina que dança sem a obrigatoriedade de estar cadenciada com a música externa, pois seus movimentos obedecem a uma “música interior”. Sua expressão corporal é uma mistura de movimentos característicos da dança com interpretação realista, mímica e pantomima.

O diretor Carlos Oliveira pensou no alinhamento entre o cenário e a fotografia, tentando produzir um visual apocalíptico, com sombras e contrastes bem marcados entre claro e escuro, significando uma extensão simbólica do interior ambíguo da personagem, no qual o bem e o mal existem ao mesmo tempo. O próprio personagem do Ser do mangue, ao representar uma árvore queimada, mescla-se visualmente ao cenário preparado em uma locação de manguezal da Vila São José, em Cubatão.

Naquilo em que a obra geral de Gilberto conversava com o concretismo e o minimalismo, foram pensadas algumas características associadas a essas estéticas, destacando-se imagens em câmera lenta, aceleradas e em retrocesso, repetições de takes e o uso de efeitos visuais, pois todas elas possibilitam um sutil olhar metalinguístico ao trabalho.

A criação desta videodança contou com a consultoria artística do escritor e crítico literário Flávio Viegas Amoreira, que também foi amigo de Gilberto Mendes e, recentemente, lançou uma biografia do compositor.

 

Fonte: DL – Diário do Litoral

Fonte: Diário do Litoral

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