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‘Super Mario 3D All-Stars’ é bela homenagem de 35 anos do herói, mas podia ser melhor; G1 jogou

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Para comemorar os 35 anos de lançamento de “Super Mario Bros.” (1985), um dos games e um dos personagens mais populares da história, a Nintendo lançou uma aguardada coleção para Nintendo Switch com os três melhores e mais importantes jogos de plataforma em 3D do personagem.

“Super Mario 3D All-Stars” traz “Super Mario 64” (1996), “Super Mario Sunshine” (2002) e “Super Mario Galaxy” (2007) com visual remasterizado e suas trilhas sonoras completas com o objetivo de celebrar o aniversário da principal série da história dos videogames.

Além disso, é uma oportunidade de popularizar games de consoles que hoje são mais complicados para o público em geral alcançar.

Por outro lado, por se tratar de uma coletânea de games tão importantes, a Nintendo poderia ter trabalhado melhor na homenagem ao seu mascote.

Super Mario 3D All-Stars é coletânea com três games para Nintendo Switch

Super Mario 3D All-Stars é coletânea com três games para Nintendo Switch

Além das trilhas sonoras completas de cada um dos jogos e de uma pequena descrição da história de cada um na tela de título, não há nenhum outro conteúdo adicional, como artes, rascunhos da produção, documentário ou objetivos bônus. São apenas os três games que, agora, você pode jogar no Switch em casa ou na rua.

E vale lembrar que o game será vendido apenas até março de 2021 (tanto a versão física quando a digital), o que torna esta coleção um item quase de colecionador.

Não é a primeira vez que a Nintendo dá uma recauchutada no visual dos games clássicos do Super Mario. Em 1993, para o Super Nintendo, ela deu gráficos 16-bit para os games “Super Mario Bros.”, “Super Mario Bros.: The Lost Levels”, “Super Mario Bros. 2” e “Super Mario Bros. 3”.

Foi quase que um remake na época e o game foi relançado para as comemorações dos 25 anos do Super Mario em 2010 para o Wii. Agora, ela reúne três dos principais games tridimensionais do encanador.

A remasterização para Nintendo Switch em “Super Mario 3D All-Stars” melhorou a resolução dos três títulos que foram lançados há quase 25 anos, quando o público ainda tinha TV de tubo e não existia televisores Full HD ou 4K.

No título de Switch, eles rodam em alta definição, o que deixa os games que já eram belos ainda mais bonitos. A taxa de quadros por segundo também foi retrabalhada, o que dá aos três games maior fluidez e precisão para os saltos de Super Mario nas fases com alto nível de dificuldade.

As melhorias são visíveis nos três games da coletânea. Contudo, são os dois mais antigos que se beneficiam mais deste trabalho.

“Super Mario 64”, do Nintendo 64, está lindo como nunca antes visto. É o primeiro jogo tridimensional do herói. Além do visual sem nenhum serrilhado e a possibilidade de visualizar as fases com maior distância (antigamente, alguns objetos como moedas sumiam quando estavam mais longe do jogador), a maior fluidez faz com que, nas fases mais difíceis, os saltos em plataformas de acesso complicado ficassem levemente mais precisos.

O som também está bem melhor e é uma felicidade que uma maior parte do público tenha acesso a este clássico dos videogames.

2 de 5 ’Super Mario 64′ tem visual melhorado para o Switch — Foto: Divulgação/Nintendo

‘Super Mario 64’ tem visual melhorado para o Switch — Foto: Divulgação/Nintendo

A remasterização elimina bugs que fizeram os “speedruns” (terminar o game o mais rapidamente possível) de “Super Mario 64” se tornarem famosos, mas não elimina as barras pretas que ficam ao lado da TV por conta a proporção da imagem do jogo.

O formato era o 4:3 das TVs quadradas da época se transformou atualmente nos 16:9 dos televisores widescreen. A Nintendo poderia ter trabalhado nisso nesta coleção de games, mas o resultado final, embora não tenha muitas novidades, é satisfatório.

“Super Mario Sunshine” é, talvez, o que melhor tenha se beneficiado da remasterização. Finalmente mais pessoas poderão jogar o título do GameCube, um console que não foi tão popular quanto o Wii e o Switch.

Além disso, diferentemente de “Super Mario 64”, o game não recebeu versões para outros consoles da empresa, o que torna sua inclusão nesta coletânea de grande importância.

3 de 5 ’Super Mario Sunshine’ é o game em que Mario usa uma mochila que lança jatos de água — Foto: Divulgação/Nintendo

‘Super Mario Sunshine’ é o game em que Mario usa uma mochila que lança jatos de água — Foto: Divulgação/Nintendo

Com gráficos em maior resolução e proporção de imagem para o widescreen, o game que já era extremamente colorido ficou extremamente vibrante.

O clima praiano, cheio fases com água (que tinha um efeito surpreendente para os videogames de 20 anos atrás), combinado com o uso de uma ferramenta, o FLUDD, por Super Mario foram o destaque de 2002. Esse FLUDD era uma espécie de mochila que Mario usava para lançar água contra os inimigos, limpar toda a sujeira e molhar o chão para escorregar. Ele podia até usar jatos da água com força em direção ao chão para planar por alguns instantes. A mecânica inédita na série não agradou a todos que esperavam por uma sequência direta e mais próxima do esquema de jogo visto em “Super Mario 64”.

Os efeitos especiais de água e o uso do FLUUD permitiram a criação de quebra-cabeças interessantes, além de fazer o jogador limpar o cenário de toda a sujeira que os inimigos deixaram para trás.

Talvez por não ser o game de Super Mario mais amado pelos fãs por conta justamente da mecânica do uso da água para lutar contra os inimigos, a Nintendo não fez alguns ajustes que deixariam o jogo perfeito.

No GameCube, o controle permitia controlar a força com que a água era disparada pelo FLUDD, algo que não é possível com os botões do Switch. Há uma versão deste joystick para o Switch, lançado para “Super Smash Bros. Ultimate”, mas ela não é compatível com “Super Mario Sunshine” nesta coletânea.

O terceiro game de “Super Mario All-Stars” é um dos melhores games da franquia e o que teve menos tratamento. “Super Mario Galaxy” chegou ao Wii em 2007 no auge do console que fez muito sucesso no final dos anos 2000.

Um dos jogos mais belos do personagem antes da entrada na era da alta definição com o Wii U, Mario viajava em fases que traziam pequenos planetas de diferentes formatos e desafiava a gravidade.

4 de 5 ’Super Mario Galaxy’ é um dos melhores jogos do personagem de todos os tempos — Foto: Divulgação/Nintendo

‘Super Mario Galaxy’ é um dos melhores jogos do personagem de todos os tempos — Foto: Divulgação/Nintendo

Embora seja um game mais recente, agora ele está com uma definição gráfica aprimorada e tem a maior fluidez de quadros por segundo que os outros games do pacote especial, o que o torna ainda mais bonito e épico.

O jogador pode sacudir os Joy-Cons (os controles do Switch) para fazer Mario rodopiar e usar algumas de suas habilidades especiais, tal qual fazia com o Wii Remote há 13 anos. Também é possível apontar para a tela para invocar um cursor e capturar as “star bits” que podem ser usadas para deixar inimigos tontos.

O controle Pro Controller funciona muito bem, inclusive permitindo usar o cursor. Ao jogar com o Switch em mãos, o público pode usar seu dedo diretamente para coletar as pequenas estrelas. Infelizmente, para isso é preciso largar um dos Joy-Conn. Não é a melhor maneira de jogar.

Contudo, o uso da tela sensível a toque deixou alguns desafios mais fáceis, principalmente quando é preciso conduzir Mario em fases sem gravidade, nas quais ele é puxado por estrelas azuis.

Houve uma melhoria, também, nos desafios em que usamos os controles sensíveis a movimentos, o que ajuda na conquista pelas estrelas do game para salvar a princesa Peach.

“Super Mario 3D All-Stars” chega para comemorar os 35 anos de Super Mario e acerta ao trazer games históricos e uma obra-prima dos jogos de plataforma ao Switch em um só lançamento. Mas para ser uma homenagem completa, faltou muito conteúdo.

5 de 5 Tela de seleção de games traz poucas informações sobre os jogos de Super Mario em ‘Super Mario 3D All-Stars’ — Foto: Reprodução

Tela de seleção de games traz poucas informações sobre os jogos de Super Mario em ‘Super Mario 3D All-Stars’ — Foto: Reprodução

Estão ali os games, um pequeno histórico deles, a trilha sonora completa. E só.

Os jogadores não podem escutar as músicas fora do game e não há nenhum conteúdo adicional ou que poderia ser aberto ao realizar algumas missões nos games.

Seria interessante poder ter artes conceituais da época, entrevista com os desenvolvedores e missões paralelas para dar mais vontade de enfrentar games que muitos já jogaram incansavelmente.

Imagine ter um desafio de terminar “Super Mario 64” dentro de um determinado tempo ou de conseguir todas as estrelas em “Super Mario Galaxy” e receber um modelo virtual de Mario desse game para apreciar. Ou de ter que concluir uma fase muito difícil sem morrer e ter acesso a algo que a Nintendo nunca divulgou sobre os games.

Outro ponto interessante seria poder salvar o progresso dos jogos a qualquer momento para jogar depois de onde parou. Aqui, só é possível salvar a jornada quando o game permite, como no passado.

Muitos fãs questionaram a Nintendo por não ter incluído “Super Mario Galaxy 2” neste pacote, já que ele é um dos favoritos por apresentar fases de extrema dificuldade e de grande criatividade. Faz falta.

Ainda, a Nintendo poderia ter feito um trabalho melhor nos três games, ou pelo menos em “Super Mario 64” – que poderia ter tido a proporção de telas modernas. O primeiro game em 3D do personagem merecia um tratamento de “remake”, com gráficos mais atuais, assim como a empresa fez em 1993 com “Super Mario All-Stars”. Nem mesmo o controle da câmera deste game de 24 anos de idade mudou e, hoje, parece meio arcaico.

Mas é muito bom poder jogar alguns dos melhores games de plataforma de todos os tempos e em qualquer lugar. Esta é uma bela coletânea de jogos de Super Mario, mas não é a homenagem que o querido personagem merecia em seus 35 anos.

Fonte: Pop & Arte – G1

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