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Marisa Monte lança ‘Hotel tapes’ de 1996 sem ver o ‘novo começo de era’ dos tempos modernos de 2020

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Referência da música brasileira por ditar padrões e tendências, cantora contradiz a própria história com o apego ao passado do projeto ‘Cinephonia’.

1 de 2 Marisa Monte lança ‘Hotel tapes’ de 1996 sem ver o ‘novo começo de era’ dos tempos modernos de 2020 Facebook Marisa Monte

ANÁLISE – Chega a ser irônico que o álbum Hotel tapes (1996) – Ao vivo – lançado por Marisa Monte na sexta-feira, 19 de junho, com áudios de oito gravações extraídas do DVD Barulhinho bom (1996) – esteja sendo promovido com o clipe da música Tempos modernos (1982).

A julgar pela segunda das três partes de Cinephonia, projeto em que a artista carioca está pondo nas plataformas áudios de 30 músicas até então disponíveis somente em DVD e/ou VHS, Marisa Monte continua sem ver o novo começo de era que se desenha em 2020.

Numa época em que artistas produzem clipes e até discos de forma remota, respeitando as regras do isolamento social, a cantora joga na rede um clipe feito de colagens de imagens antigas de fãs. Um vídeo que evoca clipe lançado pela própria Marisa – o da música O que me importa (1972), gravada pela cantora no álbum Memórias, crônicas e declarações de amor (2000) – no mesmo estilo há cerca de 20 anos.

Tal como o álbum Memórias 2001 – Ao vivo, lançado em 11 de junho na estreia do projeto Cinephonia, Hotel tapes (1996) – Ao vivo sinaliza que Marisa Monte está tentando fazer muito barulhinho bom por (quase) nada. O teor de novidade é baixo para artista dona de baú rico de registros realmente raros e/ou inéditos. Mas o que assusta é o apego ao passado, fato incomum na trajetória de artista que sempre esteve à frente.

2 de 2 Capa do álbum com áudios do DVD ‘Barulhinho bom – Uma viagem musical’ — Foto: Reprodução

Capa do álbum com áudios do DVD ‘Barulhinho bom – Uma viagem musical’ — Foto: Reprodução

Pioneira da selfie, justamente na época do álbum de 2000, Marisa Monte sempre ditou padrões e tendências por vislumbrar o futuro e dar passos que, mais tarde, seria copiados por outras cantoras.

Basta lembrar que, em março de 2006, quando Marisa lançou dois álbuns simultâneos, Infinito particular e Universo ao meu redor, o impacto foi tão grande que, ao fim daquele mesmo ano de 1996, Maria Bethânia não quis ficar atrás e também lançou dois discos. E Ana Carolina praticamente fez o mesmo com Dois quartos, embora sob a forma de álbum duplo.

Enfim, Marisa Monte sempre esteve à frente e causou impacto com tudo o que fez em disco e show. Por isso mesmo, o projeto Cinephonia assusta seguidores atentos dessa cantora que faz 53 anos em 1º de julho.

Resta torcer para que, no álbum de músicas inéditas que lançará em breve (em tese, ainda em 2020) pela Sony Music, gravadora com a qual assinou contrato em abril, Marisa Monte pare de olhar pelo retrovisor, volte a ocupar um lugar na linha de frente da música brasileira e siga sendo a cantora referencial e visionária que sempre foi desde a segunda metade dos anos 1980.

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Fonte: Pop & Arte – G1

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