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25 anos sem Tom

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Tom Jobim — Foto: GloboNews/Acervo

Quanto mais o tempo passa, mais gostamos do que Antônio Carlos Jobim nos deixou. É claro que muita música boa foi feita por outros compositores depois que ele se foi há 25 anos. Música boa, mas em estilos muito diferentes do mais presente na obra de Tom.

A música popular está em permanente transformação, mudando a cada novidade determinada pelo momento e pela vontade ou necessidade de se criar novos sons. O próprio Tom passou por isso a partir da bossa nova.

Lembro-me de como ele costumava surpreender seus entrevistadores ao dizer que era um compositor de samba. Isso mesmo, de samba. Evidentemente, ele se referia não ao samba como o das escolas, batucado, vibrante, contagiante pelo ritmo, mas ao samba-canção dos anos imediatamente anteriores à bossa nova.

Aliás, também outros participantes do chamado “movimento” (por exemplo, Roberto Menescal) admitem que tudo o que os bossanovistas queriam era fazer samba-canção.

Com outra roupagem harmônica, naturalmente, temperada pela batida de violão de João Gilberto, mas samba-canção. De preferência, sem as letras enfossadas – do tipo “ninguém me ama, ninguém me quer” – que caracterizaram o gênero antes de 1958.

Tom aderiu à bossa nova, deixando-se ser reconhecido como um de seus criadores, porque não podia deixar passar aquela oportunidade. Ele e também ser parceiro Vinicius.

A bossa nova venceu, conquistou o Brasil, abraçou o mundo e, a bordo dela, muitos de nossos compositores, Tom à frente, acabaram se beneficiando daquela popularidade sem fronteiras. Mas ele estava certo ao afirmar sua condição primeira de compositor de samba. Quer dizer, de samba-canção.

Mais para o fim da vida, Tom ampliou sem campo de ação musical, compondo músicas para grandes orquestras, algumas beirando o clássico.

Compôs para outros ritmos que não o samba, cantou em inglês, tornou-se o brasileiro mais conhecido no exterior, mas o samba-canção continuou sendo o seu idioma musical. Quem se der ao trabalho (e ao prazer) de ouvir os históricos discos com Sinatra há de concluir que, mais que bossa nova, Tom fez Frank cantar samba-canção.

Não são muitos os compositores que ainda fazem música como Antônio Carlos Jobim fazia. Não que tivessem de fazê-lo. A música avança, muda, está em constante atualização, tem de obedecer às exigências do mercado, seguir a moda e conquistar ouvidos jovens. Felizes são aqueles que compreendem essa verdade e gostam, de fato, dos novos sons que chegam.

Mais felizes, porém, são os que podem curtir o último funk sem deixar de gostar de Tom. Vinte e cinco anos depois, gravada e regravada por tanta gente, aqui e lá fora, sua música nos parece cada vez melhor.

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Fonte: Pop & Arte – G1

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