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Ainda sobre espíritos e demônios: incorreções e incompreensões

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Exu Marabo, Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A estatueta faz parte da coleção tombada pelo Serviço do Patrimônio Nacional (atual IPHAN) e está sob a guarda da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Foi coletada quando da repressão aos terreiros no início do século XX. — Foto: Reprodução/Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro

Em meu post do blog, “A vida como ela parece ser” do G1 da última sexta-feira (8), publicado também na minha página do Facebook, houve uma incorreção e gerou incompreensão. Bàbá Gill Sampaio Ominiró observou tais ocorrências, as quais transcrevo:

“Àgó (licença)

Li essa matéria agora pelo G1 e gostaria de fazer uma ressalva.

Ebó não é um ritual dedicado a Èṣù necessariamente.

Ebó vem do Yorùbá “ẹbọ”, que por sua vez vem de Ẹ (prefixo para formação de substantivos acoplados a verbos que indicam ação) + bọ (verbo oferecer). Portanto ẹbọ é “oferenda” para qualquer divindade ou entidade.

Ademais Èṣù não é identificado como demônio por nenhum adepto de religião afro-brasileira em sã consciência. Essa identificação é devida aos cristãos intolerantes. E na matéria isso ficou confuso, disperso.

Não devemos intensificar essas ideias intolerantes que somente podem incentivar a ignorância dos que não sabem que é Èṣù. Òrìṣà Ọlọpa Olódùmarè (fiscal de Deus). Uma divindade essencial à existência da vida e regulação das regras sociais da religião yorùbá em África e na Diáspora.”

Em primeiro lugar, agradeço as ressalvas. Procuro ser sempre respeitosa com os meus leitores. Jamais me furto ao debate de ideias. Concordo integralmente com as definições precisas por ele elaboradas a respeito do ebó e da divindade exu.

No contexto do meu post desejei situar o ebó coletivo como uma “nova forma de defesa dos líderes das religiões de matriz africana” realizada de forma pública e à luz do dia, e, mais ainda o fato de haverem recorrido ao Ministério Público, contrapondo a iniciativa à repressão vivida por pais e mães de santo no século passado, quando eram alvo da polícia que os acusava e prendia por praticar a magia.

Falhei, no afã de relacionar o passado e o presente das acusações de uso de poderes sobrenaturais para produzir o mal, em não explanar de maneira mais exata as categorias citadas. Conforme mencionei acima o debate torna-se fundamental para elucidar os argumentos de parte a parte e, por isso reafirmo meu agradecimento ao Bàbá Gill Sampaio Ominiró por suas pertinentes observações.

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Fonte: Pop & Arte – G1

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