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Tristeza ousada e ritmo versátil: como Drake se encaixou no funk brasileiro em remix de ‘Ela é o tipo’

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Dueto do canadense com Kevin o Chris segue tendências do estilo: melancolia na ousadia, ritmo que alterna suavidade e força e mistura com outros gêneros musicais ‘urbanos’; G1 analisa.

Drake com camisa do Corinthians — Foto: Reprodução/Instagram do artista

O remix de “Ela é do tipo” com Drake e Kevin o Chris está afinado com o funk brasileiro atual. A faixa ressalta tendências do estilo: o toque de melancolia em versos sensuais, a versatilidade da batida “150”, a mistura com outros sons urbanos e a exportação do ritmo.

Conheça abaixo quatro tendências do funk e como a nova faixa se encaixa neles:

1 – Melancolia na ousadia

Qual é a tendência? Hits recentes do funk brasileiro renovam a expressão “sentar e chorar”. Entre acordes menores, versos sobre relações sofridas, dissonâncias, andamentos e vocais arrastados, músicas como “Amar amei”, “Pique de novela” e “Parado no bailão” misturam melancolia e sensualidade.

Como Drake se encaixou? A letra e a interpretação de Drake, com base no R&B americano, deixa mais explícita a angústia que era sugerida em trechos da faixa original de Kevin o Chris. A parte em inglês expõe o impasse de um casal que tem química sexual mas está perdido em dúvidas e traições.

Saiba mais – Leia a matéria completa sobre o batidão reflexivo e veja o vídeo abaixo:

Melancolia no Funk? Veja músicas com elementos tristes que bombam na pista

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Qual é a tendência? O ritmo louco, que ganhou o Rio e o Brasil ao aumentar para 150 as batidas por minuto, permite um canto rápido e forte, mas também versos melódicos e suaves na metade do tempo. É como se a música estivesse em 75 batidas por minuto, não em 150. Dá para alternar a dinâmica.

Como Drake se encaixou? Drake tem músicas lentas, mas não quadradas, com elementos que insinuam o dobro da velocidade, como “God’s plan”. Por isso sites dos EUA tiveram a impressão de que ele não fez esforço para cantar diferente na nova faixa. Por preguiça ou química musical, o canto encaixou.

Saiba mais: Outro MC que explora esse contraste, Du Black, falou sobre isso no podcast G1 Ouviu. Leia o perfil e ouça o podcast para entender:

Qual é a tendência? À medida em que ganhou criatividade e popularidade no Brasil, o funk também ficou atraente lá fora. Isso levou a várias outras parcerias, como de Fioti com Future e J Balvin, Kevinho com 2 Chainz e French Montana, Ludmilla e Lan com Skrillex e Anitta com Madonna.

Como Drake se encaixou? “Ela é do tipo” não é novidade na exportação do funk. A diferença é o peso de Drake. Até agora, o maior nome a encampar o ritmo tinha sido Madonna, graças à sua conexão portuguesa com Blaya. Mas Drake é hoje mais ouvido que a rainha do pop – e qualquer outro artista.

Saiba mais: Funk cresceu mais de 3.000% no streaming fora do Brasil desde 2016

Qual é a tendência? Em entrevista ao G1, a diretora de relação com artistas do Spotify Roberta Pate falou do “momento da música urbana” no mundo. O termo “urbano” se refere a ritmos eletrônicos populares, do rap americano ao reggaeton latino. “No Brasil o gênero urbano que faz essa ponte é o funk”, ela disse.

Como Drake se encaixou? O canadense é rei de adotar tendências ‘urbanas’. Fez isso com grime britânico, dancehall jamaicano e afrobeat nigeriano. Agora é o “baile funk”, como se diz lá fora. O ritmo se abre às conexões urbanas, na ponte aérea interna e no exterior. O rap de Drake caiu como uma luva.

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Drake e Kevin o Chris — Foto: Divulgação

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Fonte: Pop & Arte – G1

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