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Sintomas da Covid-19: veja o que estudos recentes descobriram sobre efeitos do novo coronavírus no corpo

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Oito meses depois dos primeiros casos do coronavírus Sars CoV-2 em humanos, alguns pacientes ainda apresentam novos sintomas, mesmo que raros, e que foram descritos em estudos científicos nas últimas semanas. As pesquisas citam problemas gastrointestinais, dor no peito devido à inflamação da pleura, delírios nos dias de maior agressividade da Covid-19, perda persistente de olfato e paladar, e sintomas neurológicos em crianças.

Antes de abordar os achados nas pesquisas, vale ressaltar que os principais sintomas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda são:

Sintomas mais comuns:

Sintomas menos recorrentes:

  • Dor de garganta
  • Diarreia
  • Conjuntivite
  • Dor de cabeça
  • Perda de paladar ou olfato
  • Erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou dos pés

Sintomas graves (com necessidade de atendimento médico imediato):

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Pesquisas recentes sobre sintomas

Além deles, o G1 mostra relatos de cinco outras sintomas, citados em estudos científicos mais recentes e que aguardam uma confirmação de pesquisas mais amplas e autoridades médicas internacionais:

1. Problemas gastrointestinais

Uma pesquisa publicada neste mês por cientistas italianos observou um grupo de 105 pacientes – 34 com Covid-19 e 71 no grupo controle sem a doença –, em Roma.

Os autores observaram que, no momento da admissão no hospital, a prevalência de sintomas gastrointestinais era de 8,8%. Outro ponto é que os pacientes que desenvolveram os problemas apresentaram uma taxa de mortalidade menor.

“Nossos resultados destacaram uma frequência não negligenciável de sintomas gastrointestinais em pacientes com Covid-19, em parte atribuída às terapias implementadas”.

De acordo com os cientistas italianos, como os pacientes com esses sintomas apresentam uma taxa de recuperação razoável, o que sugere os problemas gastrointestinais possam ter uma relação com a redução mais rápida da carga viral.

O estudo foi divulgado pela revista médica “European Review for Medical and Pharmacological Sciences”.

Em 7 de julho, a revista especializada “Brain” publicou um estudo da University College London sobre as consequências neurológicas da Covid-19. Delírio, inflamação cerebral, derrame e danos nos nervos estão entre alguns sintomas detectados nos pacientes.

De acordo com os autores, um fato importante é que alguns infectados não apresentaram os sintomas respiratórios graves da Covid-19, como a falta de ar, e o distúrbio neurológico foi o primeiro sinal da doença.

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“Identificamos um número maior do que o esperado de pessoas com condições neurológicas, como inflamação no cérebro, que nem sempre se correlacionam com a gravidade dos sintomas respiratórios”, disse o autor principal do estudo, Micheal Zandi.

No estudo, eles detalharam os sintomas neurológicos de 43 pessoas, com idade entre 16 e 85 anos, que foram tratadas no Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia, no Reino Unido. Foram identificados 10 casos de disfunção cerebral temporária, como o delírio, 12 de inflamação cerebral, oito derrames e oito pessoas com danos aos nervos – principalmente relacionadas à Síndrome de Guillian-Barré.

Além disso, em 28 de junho, o “The New York Times” publicou uma reportagem com relatos de pacientes que apresentaram delírios e outros problemas neurológicos durante a infecção.

O jornal americano entrevistou o médico especialista E. Wesley Ely, do Centro de Doenças Críticas, Disfunção Cerebral e Sobrevivência da Universidade Vanderbilt, no estado do Tennessee. De acordo com o pesquisador, a equipe precisou desenvolver diretrizes para minimizar a ocorrência do delírio no hospital.

O delírio é relatado nos EUA em pacientes com coronavírus de todas as idades e sem comprometimento prévio. Entre dois terços a três quartos dos pacientes recebidos no centro médico de Wesley Ely tenham tido delírio, alucinações e agitação paranoicas, visões internalizadas e confusão.

Profissionais de saúde utilizando equipamentos de proteção individual (EPI) passam por uma enfermaria para pacientes contaminados com Covid-19 no hospital Lok Nayak Jai Prakash em Nova Delhi, na Índia — Foto: Danish Siddiqui/Reuters

Profissionais de saúde utilizando equipamentos de proteção individual (EPI) passam por uma enfermaria para pacientes contaminados com Covid-19 no hospital Lok Nayak Jai Prakash em Nova Delhi, na Índia — Foto: Danish Siddiqui/Reuters

3. Pleurite e dor no peito

A dor no peito é um sintoma que pode ser observado na Covid-19, como determinou a OMS. No entanto, o pesquisador Christopher Oleynick, da Universidade de Calgary, no Canadá, publicou um estudo com detalhes mais específicos com base na história de um paciente de 48 anos, com hipertensão e diabetes tipo 2.

Ele chegou ao pronto-socorro com uma dor no tórax, que tinha começado no dia anterior. Passou por uma avaliação e acabou diagnosticado com pleurite viral – inflamação na pleura, tecido que reveste os pulmões – por exclusão. Ao desenvolver febre alta e falta de ar, ele apresentou um resultado positivo para o Sars CoV-2.

De acordo com o pesquisador, que publicou o artigo em 24 de julho, não havia registro na literatura de outro caso de paciente com dor no peito, Covid-19 e pleurite associada – “o que pode enfatizar ainda mais que a doença pode apresentar sintomas atípicos”, escreveu.

Dor no peito não faz parte dos sintomas clássicos do novo coronavírus

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4. Perda do olfato e do paladar persistente

A perda do olfato e do paladar já é um sintoma descrito pela OMS, mas os cientistas ainda estudam o período e outras evidências relacionadas que possam causar sequelas da Covid-19.

Um estudo publicado em 2 de julho na revista JAMA tentou descobrir qual é a evolução do sintoma a partir da infecção do Sars CoV-2 – e se ela se mantém persistente. Foram analisados 202 pacientes com a Covid-19.

Um mês após o começo da doença, 55 pacientes relataram que já sentir cheiros e gostos após a perda desses sentidos. Outros 46 disseram que o sintoma melhorou, mas 12 ainda não tinham o retorno do olfato e do paladar. As pessoas que apresentaram a persistência do problema não necessariamente permaneciam com a doença causada pelo novo coronavírus.

“Embora a gente tenha encontrado uma alteração do olfato e do paladar mais frequente entre as mulheres no início do estudo, outras 8 associações pequenas e clinicamente sem sentido também foram observadas entre a persistência desses sintomas e o sexo ou idade”, disseram os autores no artigo.

“Por outro lado, uma maior gravidade do comprometimento do olfato e do paladar ocorreu no início do tratamento, razoavelmente devido a uma lesão no nervo olfativo. Isso foi associado a uma menor chance de recuperação após quatro semanas”.

Os cientistas dos hospitais Guy’s e St Thomas’, autores da pesquisa em Londres, dizem que a maioria dos pacientes com o sintoma retomam o olfato e paladar, portanto. Ainda não é possível estimar precisamente quando ele surge, e novos estudos precisam ser realizados a respeito do tema.

5. Problemas neurológicos em crianças

O Great Ormond Street Hospital for Children, em Londres, investigou se as crianças em Covid-19 também podem apresentar problemas neurológicos. Em outros estudos, como o que descrevemos sobre delírio, pacientes adultos com a doença apresentaram problemas relacionados ao cérebro.

Nesta pesquisa, também publicada na revista JAMA em 1º de julho, 27 crianças com síndrome inflamatória causada pela Covid-19 foram observadas. Quatro delas, que eram saudáveis antes da doença, apresentaram sintomas neurológicos de início recente. São eles: dores de cabeça, sinais no tronco encefálico e cerebelar, fraqueza muscular e reflexos reduzidos. Além disso, alterações no músculo do esplênio (do dorso) também ocorreram nos pacientes.

Infectologista e pediatra comenta sobre a transmissão da Covid-19 entre crianças

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“Crianças com Covid-19 apresentaram novos sintomas neurológicos envolvendo o sistema nervoso central e periférico, e alterações esplênicas de imagem, na ausência de sintomas respiratórios da doença. Pesquisas adicionais são necessárias para avaliar a associação de sintomas com alterações imunológicas em crianças”, disseram os autores.

Fonte: Ciência e Saúde – G1

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