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Formiga pré-histórica que caçava ‘com chifre’ é encontrada preservada em âmbar

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Fóssil capturou o momento em que uma ‘Ceratomyrmex ellenbergeri’, ou formiga do inferno, ataca sua presa com a ajuda de uma estrutura alongada na cabeça.

Exemplar da espécie ‘Ceratomyrmex ellenbergeri’ foi presa no âmbar enquanto atacava uma ‘Caputoraptor elegans’ (uma baratinha) há 99 milhões de anos — Foto: Reprodução/Current Biology

Exemplar da espécie ‘Ceratomyrmex ellenbergeri’ foi presa no âmbar enquanto atacava uma ‘Caputoraptor elegans’ (uma baratinha) há 99 milhões de anos — Foto: Reprodução/Current Biology

Pesquisadores da França, dos Estados Unidos e da China apresentaram nesta quinta-feira (6) um fóssil preservado em âmbar que captura o momento exato em que uma formiga pré-histórica abocanhava sua presa.

O estudo divulgado pela revista “Current Biology” sugere que a Ceratomyrmex ellenbergeri, formiga conhecida como “infernal” usava uma espécie de chifre para segurar suas vítimas. O espécime faz parte de uma subfamília já conhecida, os haidomyrmecinæ.

O fóssil de mais de 99 milhões de anos foi encontrado em Myanmar e mostra o exato momento em que a “infernal” aprisiona sua caça em uma espécie de pinça formada por sua mandíbula e o “chifre”, o clípeo presente até hoje em outras formigas, mas sem o mesmo formato.

Diagrama mostra como se deu a evolução destes insetos: em vermelho estão as mandíbulas e em azul os clípeos. — Foto: Reprodução/Current Biology

Diagrama mostra como se deu a evolução destes insetos: em vermelho estão as mandíbulas e em azul os clípeos. — Foto: Reprodução/Current Biology

Capturar momentos como este em um fóssil é algo “extremamente raro”, disse em nota, Phillip Barden, um dos autores do artigo “Specialized Predation Drives Aberrant Morphological Integration and Diversity in the Earliest Ants”.

Segundo ele, poder presenciar um “comportamento fossilizado”, como é este aprisionado no âmbar, “é inestimável”. Essa predação fossilizada confirma a hipótese dos hipótese dos pesquisadores sobre como as peças bucais das formigas do inferno funcionavam.

“A única maneira de capturar presas em um arranjo desse tipo é que as peças bucais das formigas se movam para cima e para baixo em uma direção diferente da de todas as formigas vivas, de quase todos os insetos”, explicou Barden.

Os cientistas sugerem que as adaptações para a captura de presas é o que provavelmente explica a diversidade de mandíbulas e clípeos observados nas 16 espécies de formigas do grupo “infernal” já identificados até o momento.

Em 2017, Barden e seus colegas identificaram uma Linguamyrmex vladi, que teria usado um chifre reforçado na cabeça para empalar suas presas e se alimentar do líquido interno (hemolinfa) de outros insetos.

A formiga caçadora foi descoberta no vale de Hukawn, em Myanmar, que durante a era Mesozoica era cercado por árvores produtoras da resina, substância pegajosa, cor de caramelo que escorre pelo tronco.

Plantas e pequenos animais como lagartixas e aranhas costumam ser envolvidos pelo fluido e após milhões de anos se transformam em fósseis. Como no filme Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros, cientistas descobriram muitas especies extintas de animais, guardados em pedras de âmbar – é o caso da abelha mais antiga do mundo, também encontrada neste vale.

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Fonte: Ciência e Saúde – G1

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